sábado, 20 de dezembro de 2008

...

Do que assimilei, ficou-me o peso e o vazio;
ficou o cansaço mas não o preenchimento.
A essência não pode ser acumulada,
deve ser manifestada,
Mas eu não tenho energia para o fazer a todos os momentos,
embora queira.
Quanto mais longínquo o horizonte, mais eu olho para ele.
Mais desfoco o chão.
Nunca paro de me ouvir.
Às vezes gostava de me diluir ou apagar o botão da minha consciência,
e viver apenas.

Quero mudar a minha pele.
Quero chegar à fase seguinte.
O amanhã está a muitas respirações de distância.
Talvez amanhã exista uma respiração que falhe,
ou talvez não exista ar para todos.

Uma pergunta pode destruir muita coisa.
Uma pergunta destrói para construir por cima.
Quem pergunta fica à espera de ouvir.
Quem pergunta está sozinho e quer ouvir.
Eu quero saber mas não quero saber se vai custar.
Quero renascer mas não quero morrer por isso,
e posso morrer disso.

O homem passa de carne a pó.
O insecto passa de larva a asa.
Se eu sair do meu casulo as minhas asas podem falhar;
podem não estar preparadas.
Custa muito deixar os hábitos mas não quero viver repetições constantemente.
Cada passo nestes círculos é um badalar ensurdecedor,
aumentando de volume progressivamente,
mas não sei quando me vou desligar.
Mas não quero viver morto.
Não quero vender-me como escravo para obter segurança.
Será que eu tenho coragem de ver dentro de mim tudo o que tenho de ver?

Na língua dos insectos não há a palavra Eu.
Homens há que querem ser insectos porque os insectos não precisam de felicidade.
Não desejam o impossível.
Para eles é natural a transformação.
Nós podemos não ser naturais e sobrevivemos na mesma.

Os problemas do Homem não têm importância nenhuma
e os insectos são muitos.
São muita vida junta.
Estão sempre vivos;
mesmo quando o Homem os mata ou se mata.
Incansáveis.
Comem os problemas do homem.
Alimentam as flores.
Fazem crescer as árvores.

Continuo à procura e continuo a não perceber a maior parte das coisas.
Vou deixar isto ser o que é.
Vou deixar isto ser o que não se sabe.
Mas aqui é bom.
Aqui estou bem.
Ficar por uns tempos.
Quando sair, vai ser diferente.

Há coisas que dão muito trabalho.
Exigem esforço.
Só aprendemos com as coisas difíceis.
Partilhar é muito difícil.
Dar é fácil.
Receber é difícil.
É preciso ter espaço de sobra.
Receber é ser também o outro.
É deixar o outro entrar dentro de nós.

Vou transformar-me noutro que não sei quem é.
Mas sei que sou eu.

de Paulo Diegues

sábado, 13 de dezembro de 2008

País Novo - Angola

Vou contar-vos a história de um povo
que tem tudo pra sorrir de novo
vou falar-vos da velha coragem
sacrifícios e muitas viagens

vou falar-vos do soldado tombado
anulando o sorriso rasgado
do kadengue que sofreu calado
e do povo que estava cansado

vou falar-vos dessa terra de glorias
nossa angola de muitas memórias
vou falar-vos dum povo que quis
finalmente agora feliz

muangolé não se deixa
não vassila a hora é essa
da-me a tua mão
para junto comigo bumbar
nossa Angola juntos levantar
Angola no meu coração

Vou falar-vos do artista sofrido
que pintou 30 anos de guerra
finalmente hoje tem a honra
de pintar anos brancos de paz
vou falar-vos desse craque Mantorras
dos golaços do nosso Akwa
Mano, brincadeira tem hora
paz e alegria aqui mora
você falar pra voce que emigrou
na esperança de uma vida melhor
olha, o teu povo te espera,
o teu povo te espera

vou falar-vos do meu povo de novo
sem esquecer nosso craque sayovo
vou falar-vos dos palancas negras
os do penta do meu coração
vou falar-vos do pula que ficou
no gingar dessa ginga angolana
pra europa nunca mais voltou
e com a garina do marsal ficou

esse povo que um dia chorou
e a deus seu destino entregou
tuapandula sukuiangue

finalmente agora feliz

o passado sabemos foi duro
mas o futuro está ai, é seguro
tuapandula sukuiangue

finalmente agora feliz

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

SIDA, in Afrika

A Suazilandia, pequeno pais no Sul de África encontrou a melhor forma de prevenir a Sida... Foram proibidas as minissaias na escolas com o intuito de prevenção para esta doença. Incrível, como é que nós europeus não nos lembra-mos disto.

Em Angola, uma mulher é condenada a 1500$ de multa por exercer medicina sem competências para tal e dizer que curava a Sida no seu consultório. Bem, 1500$ é um exagero... :)

Um bem haja a todos vós!

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

o que sinto... (pelas palavras de Pessoa)

"NÃO: NÃO quero nada.
Já disse que não quero nada.
Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.
Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!
Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem
conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) —
Das ciências, das artes, da civilização moderna!
Que mal fiz eu aos deuses todos?
Se têm a verdade, guardem-a!
Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?
Não me macem, por amor de Deus!
Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?
Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!
Ó céu azul — o mesmo da minha infância —
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflete!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.
Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!"

Fernando Pessoa, in LISBON REVISTED

"Prender para Investigar"

Hoje, durante a minha bela viagem matinal no meio do transito com destino a Luanda, vinha a ouvir a rádio. O tema de hoje de conversa com opinião publica foi o seguinte: "Investigar para prender ou prender para investigar".
Após vários telefonemas e conversas com o jornalista, concluí o seguinte. 50% perceberam "investigar para aprender ou aprender para investigar", cerca 35% dos restantes "falantes" disseram "prender para investigar" como quem diz em Portugal, primeiro bate-se e depois pergunta-se. E por fim, 15% responderam e fundamentaram a sua opinião em investigar primeiro e depois prender, pois todos somos inocentes até prova em contrário.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Welcome to Moskitolandia!

Não se iludam… não vale a pena,

Não queiram ler estas palavras que hoje são criadas de uma forma incoerente e sem qualquer raciocínio, escrevo por escrever, logo escrevo aquilo que penso, e eu… quando penso nada tem lógica.

A minha incapacidade de escrever nos últimos tempos, faz com que a minha capacidade de absorver o que me rodeia seja extremamente superior, mas o choque de culturas que hoje me bate á porta não me permite qualquer tipo de palavras, apenas abro os olhos de vez enquando e vou fechando-os sempre que posso.

Sento-me à beira mar, olhando o horizonte para esquecer o que está nas minhas costas… ali tenho a minha calma, ali tenho o meu mundo, ali me afogo em ideias e sentimentos…

As minhas eternas e humildes desculpas, isto não é fácil, odeio escrever sobre pessoas, terras, culturas, mundos, etc, se não o conseguir fazer da forma correcta… mas vou tentar…

Welcome to Moskitolandia!